Prestes a completar 40 anos de idade, a Pornochanchada (popup1) ainda é considerada uma fase polêmica do cinema brasileira e divide as opiniões das platéias. O Orkut possui três comunidades de fãs, que juntas somam aproximadamente 1800 pessoas.
Integrante de uma delas, o estudante Mario Fabrizio, fã declarado do gênero, diz: “Já vi muitas pornochanchadas. Acho divertido ver os atores famosos atuando nelas. Alguns desses filmes chegam, de fato, a serem bons”. O jornalista Victor Souza acrescenta: “Eu vejo as pornochanchada como boas comédias. Era uma forma de fuga que as pessoas tinham, diante da situação política do país”.
Ao mesmo tempo em que ascendia a Pornochanchada, declinava o Cinema Novo. Altamente politizado, o movimento tinha como principal temática as desigualdades sociais no Brasil, principalmente na zona rural. O regime militar não toleraria mais filmes como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), de Glauber Rocha, e “Vidas Secas” (1963), de Nelson Pereira dos Santos, que alcançaram sucesso em festivais internacionais.
O que exatamente favoreceu o surgimento dos filmes de pornochanchada ainda é tema de debate, mas é certo que o momento histórico propiciava um clima favorável. No fim dos anos 60, o Brasil enfrentava o endurecimento do Regime Militar (popup4) o mundo passava pela Revolução Sexual: sutiãs eram queimados nas ruas, a pílula foi inventada e o estilo de vida hippie se popularizava.
As mudanças culturais precisavam de uma expressão na grande tela. De fato, o primeiro longa de sexo explícito a ganhar projeção internacional foi o estadunidense “Garganta Profunda” (Deep Throat), em 1972, três anos depois daquele que é considerado por muitos a primeira Pornochanchada, “Os Paqueras”, dirigido e estrelado por Reginaldo Faria.
O motivo que levou à decadência do gênero, no começo dos anos 80, passa pela invenção do VHS, que favoreceu à produção de vídeos pornográficos de baixo custo. Além da exibição doméstica de filmes, é aceito que a crise econômica da década e o fim da Embrafilmes (embora a empresa estatal pouco tenha financiado a produção de pornochanchadas) também tenham sido de grande influência. O cinema nacional ficaria improdutivo por mais de uma década e seria, por muito tempo, considerado de baixa qualidade.
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O termo Pornochanchada é uma referência às antigas Chanchadas, gênero de comédia que predominou no cinema nacional entre as décadas de 30 e 60. Eram produções de baixo orçamento e roteiro de fácil assimilação que possuíam enorme sucesso de bilheteria e fizeram a fortuna de estúdios como Atlântida e Herbert Richers. À “chanchada”, adicionou-se “porno”, definindo o gênero como uma espécie de retomada da comédia brasileira, mas com um enfoque erótico.
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Rodado no auge da Pornochanchada, "O Bem Dotado Homem de Itu" (1978), de José Miziara, é o arquétipo de filme da Pornochanchada. Trata-se de uma comédia erótica com personagens estereotipadas, a começar pelo protagonista, um caipira bobão e conquistador, interpretado por Nuno Leal Maia. Há ainda a "coroa tarada" e o mordomo homossexual. O filme desfila a nudez de belas atrizes, como Aldine Muller, Marlene França e Helena Ramos.
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É notório o episódio protagonizado por Xuxa Meneghel, que comprou os direitos autorais de “Amor, Estranho Amor” (1982), além de todas as cópias que conseguiu. O polêmico vídeo foi estrelado por Xuxa, Vera Fischer e Tarcísio Meira.
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De fato, parece haver uma estreita relação entre a repressão do regime militar, abertamente instituída pelo AI 5, em 1968, e o crescimento do gênero. A grande maioria das primeiras pornochanchadas foi produzida pelo cinema marginal da Boca do Lixo, em São Paulo. Rogério Sganzerla, um dos principais diretores do movimento, declarou, no mesmo ano: “Quem não pode fazer nada, avacalha”.
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