quinta-feira, 3 de julho de 2008

CINEMA-CIRCO DE FELLINI, F., o espetáculo ilusionário da máquina ótica

Uma breve lista dos grandes diretores do cinema inclui Alfred Hitchcock, Martin Scorsese, Oliver Stone, Quentin Tarantino, Woody Allen, Charles Chaplin, Steven Spielberg, Stanley Kubrick, Akira Kurosawa, Orson Welles, David Lynch, D. W. Grifith, Ingman Bergman, Sergei Einstein, além dos brasileiros Gláuber Rocha e Walter Salles. Entre grandes monstros do cinema uma figura lúdica, excêntrica e controversa chama atenção.

Frederico Fellini é um dos mais produtivos cineasta de todos os tempos. Nascido em 1920, fez seu primeiro filme aos 19 anos. Chama-se "Lo vedi como sei... Lovedi como sei!?". O grande clássico de sua filmografia é 8e1/2 produzido na década de 60. Ao longo de 54 anos de carreira coleciona mais de 60 obras. Ganhador de 5 Orcar, teve sua história gravada para sempre na Fundação Fellini.

O prêmio Fundação Fellini 2008, que será entregue dia 15 de novembro tem mais dois concorrentes importantes, o diretor Manoel de Oliveira e o cenógrafo Tullio Pinelli. Nos anos anteriores, o vencedores foram Martin Scorsese (2005), Roman Polanski (2006) ed Ermanno Olmi (2007),

Em evento internacional organizado, os dias 14 e 15 de novembro, serão dedicatos a La dolce vita, en fumção do cinquentenário do filme. La voce della Luna foi o útilmo feito pelo diretor, em 1990. Depois disso fez campanhas publicitárias. Em Roma, saiu a notícia da morte de Federico Fellini aos 73 anos.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Cientologia: a religião de Hollywood


A Cientologia foi fundada em 1952 pelo autor de ficção científica Lafayette Ronald Hubbard (1911-1986), a partir da publicação dos livros Dianética: A Moderna Ciência da Saúde Mental e Dianética: A Evolução da Ciência e Ciência da Sobrevivência. Tais “escrituras” descrevem os fundamentos da Cientologia (popup1) e o seu sistema de crenças.

Segundo a seita, o homem é essencialmente bom e deve praticar essa natureza. A sua salvação depende de si, seus semelhantes e da integração com o Universo – este tripé pode promover a reabilitação das capacidades humanas, da consciência e da imortalidade.

Sendo uma das religiões mais polêmicas da atualidade, a Cientologia sofre acusações de iludir os fiéis e acumular dinheiro indevidamente e foi banida da Grécia e da Alemanha. A seita também é proibida na China e em países do Oriente Médio, onde jamais teve a sua entrada autorizada. As crenças em integração cósmica, vidas passadas e seres espirituais não são bem vistas pelo público em geral e foram satirizadas em um episódio (popup2) do desenho animado estadunidense South Park, que acabou sendo retirado do ar sob ameaça de processo.

A penetração da seita no meio artístico norte-americano salta aos olhos. Entre os adeptos mais conhecidos, encontramos os atores Tom Cruise, Katie Holmes, John Travolta (que estrelou o filme A Reconquista (Battlefield Earth: A Saga of the year 3000), baseado em um livro de Hubbard), Priscilla Presley e Juliette Lewis, além do músico Beck. Conquistar o meio artístico, na verdade, é uma estratégia explícita de expansão da Cientologia. Hubbard costumava enfatizar a importância de usar a visibilidade que têm as pessoas em Hollywood para divulgar as suas idéias.

De acordo com os Cientologistas, os traumas que as pessoas carregam desta e outras vidas só podem ser superados com a ajuda de um conselheiro espiritual (popup3), que aplica no fiel um aparelho conhecido como E-meter, dito capaz de medir o “Thetan” ou energia negativa. Assim, os cientologistas deteriam o monopólio da capacidade de tratar os problemas da mente humana e, de fato, rejeitam completamente a validade da Psiquiatria.

- Não creio que existam distúrbios no ser humano que possam ser tratados quimicamente. A Psiquiatra é uma pseudo-ciência e as doenças mentais são uma fraude – declarou Tom Cruise, em entrevista à televisão americana.

Segundo reportagem publicada pela revista Época, a Cientologia chegou ao Brasil em 1994, trazida por Lucia Winther (popup4), ainda principal representante da seita no país. Aqui, o movimento ainda é tímido: conta apenas com duas bases na capital paulista e uma em Jundiaí, no interior.

Segundo dados oficiais da organização, já foram vendidos no país 4 mil exemplares das 27 obras publicas por Hubbard. Os cientologistas têm planos de abrir uma filial no Rio de Janeiro, onde pretendem angariar adeptos no meio artístico. Por enquanto, o único membro brasileiro de alguma projeção na mídia é a escritora esotérica Monica Buonfiglio, que afirma ter sido beneficiada pela terapia da Cientologia na recuperação de cirurgias pós-tumor.

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As principais verdades da Cientologia são:
• Imortalidade: O Homem é um ser espiritual eterno.
• Reencarnação: A experiência humana estende-se para além de uma só vida.
• Deificação: As capacidades humanas são ilimitadas, ainda que isso não perceptível no presente.
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Algumas escrituras da seita explicam a origem da humanidade através de histórias mirabolantes, realmente dignas de um escritor de ficção científica. Um trecho de um episódio de South Park, que pode ser encontrado no Youtube, explica a crença cientológica de que há 76 milhões de anos o maldoso Lorde Xenu, governante de uma federação galáctica, teria exilado alienígenas na Terra para resolver um problema de superpopulação. Esses ETs estariam presentes em cada um de nós e estariam na origem dos problemas da humanidade.

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A Cientologia promete, através de técnicas terapêuticas, denominadas auditing (por vezes traduzido como “audição”, ou ainda “testagem”), “libertar” os indivíduos de toda a aflição. Enquanto a seita se apresenta como uma religião e chega a ser isenta de impostos nos EUA, há relatos de fiéis que enfrentam sérios problemas financeiros aos pagarem caro por estas sessões.

Segundo os cientologistas, o auditing é o método através do qual se pode atingir o estado de plenitude espiritual: saúde física integral, pouca propensão a acidentes, memória total, QI superior a 135, vitalidade excepcional, personalidade magnética, super criatividade e auto-controle.

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Lucia Winther mora em São Paulo, no mesmo prédio em que funciona a Editora Ponte, que publica as obras escritas por Hubbard, e mantém controle centralizado sobre todos os passos da Cientologia no Brasil: acompanha entrevistas dadas por seus membros e organiza palestras por todo o mundo. Aqui, a estratégia parece esconder o rótulo “Cientologia”, apresentando os seus ideais apenas como “Dianética”, uma terapia que objetiva à “iluminação espiritual”.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

NA BRECHA DA LEI ROUANET, incentivo à cultura ou universalização mercantil

A Lei Federal de Incentivo à Cultura, conhecida por Lei Rouanet, existe para estimular empresas ou pessoas físicas que desejam financiar projetos culturais. É possivel deduzir do imposto de renda até 60% do valor investido em um projeto. O problema é o comprometimento das instituições de cultura na lógica mercantil. As principais críticas à lei são baixo padrão de gestão da cultura, irrelevância do interesse público em determinados projetos, proveito da lei tirado por organizações sociais através de mecanismos que atraem investimentos na forma de renúncia fiscal para as empresas e determinadas parcerias público-privada.

O caso de maior notabilidade da lei rouanet foram os R$ 9,4 milhões para o espetáculo do Cirque du Soleil, com ingressos entre R$ 50 (meia-entrada) e R$ 370 (VIPs). A empresa mexicana CIE (Companhia Interamericana de Entretenimento), organizadora do evento ficou com o dinheiro que seria arrecadado em impostos. No mesmo ano, Bradesco, principal patrocinador do evento teve lucro de R$ 5,5 bilhões. Além do patrocínio ao Cirque du Soleil, a CIE foi autorizada a captar R$ 5,1 milhões para a continuação da temporada paulistana do musical "O Fantasma da Ópera", durante o ano de 2006.

Em outra ocasião, Ministério Público Federal denunciou Mario Hamilton Prioli, principal sócio da casa de espetáculos Canecão (RJ), pelos crimes de falsidade ideológica e estelionato qualificado. Para garantir o patrocínio da Petrobras, o empresário utilizou-se da marca Canecão Promoção de Eventos Ltda, criada em 1997, em lugar da Canecão Promoções e Espetáculos Teatrais S/A, verdadeira razão social da casa de espetáculos com cerca de 40 anos. Ao mudar a pessoa jurídica, Prioli teve aprovado o projeto "Canecão Petrobras" junto ao Ministério da Cultura. Com isso, valeu-se dos incentivos fiscais da Lei Rouanet, sem revelar os débitos da Canecão Promoções e Espetáculos Teatrais S/A com o INSS.

O dono do grupo Gerdau patricinou a construção do FIC (Fundação Iberê Camargo) em Porto Alegre, que foi de R$ 40 milhões, 40% pagos por patrocínio direto e 60% financiados pela Lei Rouanet. "Creio que essa é uma boa equação para um museu privado que terá entrada gratuita.", declarou à imprensa.

O total geral de captações feitas no país com benefício da Lei Rouanet foi de R$ 1 bilhão no ano passado, segundo o MinC. No ranking geral das obtenções de patrocínio pela Lei Rouanet, a Fundação Padre Anchieta [TV Cultura] tornou-se a terceira maior captadora do país, em 2007, com total de R$ 11,8 milhões obtidos. A Osesp foi a sétima maior captadora, com R$ 8,6 milhões, e a Associação Amigos da Pinacoteca, a oitava maior, com R$ 8,5 milhões. O secretário de Cultura do Estado de São Paulo, João Sayad, afirma que, do total de recursos aplicados nas organizações sociais do Estado e na TV Cultura no ano passado (R$ 409,6 milhões), apenas 8,2% (R$ 33,8 milhões) eram provenientes de patrocínios obtidos com o uso da Lei Rouanet. Segundo planilha da Secretaria de Cultura, a Fundação Padre Anchieta teve orçamento de R$ 170,6 milhões em 2007, dos quais R$ 12,1 milhões (7%) provinham da Lei Rouanet. No orçamento da Osesp, de R$ 61,3 milhões, 10,4% (R$ 6,4 mi) correspondiam a recursos da lei. O benefício do mecanismo federal da renúncia fiscal foi responsável por 51,8% (R$ 8,6 mi) do orçamento da Pinacoteca do Estado (R$ 16,6 mi).

14 organizações sociais que trabalham para o Estado de São Paulo, ou vinculadas diretamente, captaram, pelo mecanismo de renúncia fiscal do governo federal, R$ 19 milhões, em 2005; R$ 25,1 milhões, em 2006, e R$ 41,4 milhões, em 2007. O crescimento do volume captado de 2006 para 2007 foi, portanto, de 65%. "Os programas que foram excluídos da autorização para captação via Lei Rouanet são aqueles que não têm caráter cultural: os esportivos 'Cartão Verde' e 'Grandes Momentos do Esporte'; programas voltados à saúde, como 'Faixa Saúde' e 'Bom Dia Saúde', além do 'Repórter Eco', que tem viés de educação ambiental. Também não foi aprovada a rubrica 'Projetos Especiais', de R$ 4 milhões, que previa recursos a programas ainda indefinidos", afirma a Secretaria de Fomento e Incentivo do MinC, por meio de sua assessoria de imprensa.

A responsabilidade do governo de São Paulo em relação a essas estruturas vem sendo transferida sistemática e crescentemente para a renúncia de imposto federal, que é coletado em todo o Brasil. No "Plano de Atividades Anuais 2007/2008", a Fundação Padre Anchieta (TV e Rádio Cultura) pediu autorização para captar R$ 24,9 milhões em patrocínio pela Lei Rouanet. O montante autorizado pelo MinC foi 28,5% menor (R$ 17,8 mi). O governo do Estado de São Paulo tem a obrigação de financiar suas estruturas permanentes de cultura, independentemente de sua forma jurídica, se são organizações sociais ou vinculadas diretamente.

A lei precisa ser cumprida e fiscalizada constantemente a fim de evitar quebra do código de ética por parasitas fiscais e mercantilização da cultura. Os padrões de aprovação de projetos também precisam de revião. As verbas públicas estão demasiadamente concentradas nas região sul e sudeste do País. Recife, capital cultural do País caresse de recursos, assim como cooperativas de produtores artesanais. Afinal de contas a cultura não é um produto, um pacote com conteúdo pronto pra consumo, mas objeto carregado de simbologia sobre saberes e práticas de vivência.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

APOGEU E DECADÊNCIA DA PORNOCHANCHADA

Prestes a completar 40 anos de idade, a Pornochanchada (popup1) ainda é considerada uma fase polêmica do cinema brasileira e divide as opiniões das platéias. O Orkut possui três comunidades de fãs, que juntas somam aproximadamente 1800 pessoas.

Integrante de uma delas, o estudante Mario Fabrizio, fã declarado do gênero, diz: “Já vi muitas pornochanchadas. Acho divertido ver os atores famosos atuando nelas. Alguns desses filmes chegam, de fato, a serem bons”. O jornalista Victor Souza acrescenta: “Eu vejo as pornochanchada como boas comédias. Era uma forma de fuga que as pessoas tinham, diante da situação política do país”.

Ao mesmo tempo em que ascendia a Pornochanchada, declinava o Cinema Novo. Altamente politizado, o movimento tinha como principal temática as desigualdades sociais no Brasil, principalmente na zona rural. O regime militar não toleraria mais filmes como “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), de Glauber Rocha, e “Vidas Secas” (1963), de Nelson Pereira dos Santos, que alcançaram sucesso em festivais internacionais.

Pelas telas das pornochanchadas já passaram a nudez de muitos artistas hoje considerados de primeira linha no cenário nacional, como Cláudia Ohana, Betty Faria, Sônia Braga, Antônio Fagundes, Reginaldo Faria e Nuno Leal Maia (popup2). Para muitos, mesmo aqueles que foram lançados à fama pelo gênero, esse passado é motivo de constrangimento (popup3).

O que exatamente favoreceu o surgimento dos filmes de pornochanchada ainda é tema de debate, mas é certo que o momento histórico propiciava um clima favorável. No fim dos anos 60, o Brasil enfrentava o endurecimento do Regime Militar (popup4) o mundo passava pela Revolução Sexual: sutiãs eram queimados nas ruas, a pílula foi inventada e o estilo de vida hippie se popularizava.

As mudanças culturais precisavam de uma expressão na grande tela. De fato, o primeiro longa de sexo explícito a ganhar projeção internacional foi o estadunidense “Garganta Profunda” (Deep Throat), em 1972, três anos depois daquele que é considerado por muitos a primeira Pornochanchada, “Os Paqueras”, dirigido e estrelado por Reginaldo Faria.

O motivo que levou à decadência do gênero, no começo dos anos 80, passa pela invenção do VHS, que favoreceu à produção de vídeos pornográficos de baixo custo. Além da exibição doméstica de filmes, é aceito que a crise econômica da década e o fim da Embrafilmes (embora a empresa estatal pouco tenha financiado a produção de pornochanchadas) também tenham sido de grande influência. O cinema nacional ficaria improdutivo por mais de uma década e seria, por muito tempo, considerado de baixa qualidade.

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O termo Pornochanchada é uma referência às antigas Chanchadas, gênero de comédia que predominou no cinema nacional entre as décadas de 30 e 60. Eram produções de baixo orçamento e roteiro de fácil assimilação que possuíam enorme sucesso de bilheteria e fizeram a fortuna de estúdios como Atlântida e Herbert Richers. À “chanchada”, adicionou-se “porno”, definindo o gênero como uma espécie de retomada da comédia brasileira, mas com um enfoque erótico.

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Rodado no auge da Pornochanchada, "O Bem Dotado Homem de Itu" (1978), de José Miziara, é o arquétipo de filme da Pornochanchada. Trata-se de uma comédia erótica com personagens estereotipadas, a começar pelo protagonista, um caipira bobão e conquistador, interpretado por Nuno Leal Maia. Há ainda a "coroa tarada" e o mordomo homossexual. O filme desfila a nudez de belas atrizes, como Aldine Muller, Marlene França e Helena Ramos.

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É notório o episódio protagonizado por Xuxa Meneghel, que comprou os direitos autorais de “Amor, Estranho Amor” (1982), além de todas as cópias que conseguiu. O polêmico vídeo foi estrelado por Xuxa, Vera Fischer e Tarcísio Meira.

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De fato, parece haver uma estreita relação entre a repressão do regime militar, abertamente instituída pelo AI 5, em 1968, e o crescimento do gênero. A grande maioria das primeiras pornochanchadas foi produzida pelo cinema marginal da Boca do Lixo, em São Paulo. Rogério Sganzerla, um dos principais diretores do movimento, declarou, no mesmo ano: “Quem não pode fazer nada, avacalha”.


domingo, 8 de junho de 2008

O FENÔMENO DE NOLLYWOOD

Com abundantes reservas de petróleo, a Nigéria é um dos países que economicamente mais crescem no mundo, a uma taxa de aproximadamente 9% ao ano. A nação mais populosa da África contabiliza 140 milhões de almas se espremendo em um território um pouco maior que o Mato Grosso. Apesar de não possuir salas de cinema, a Nigéria possui grande mercado interno e é o terceiro maior produtor de filmes do mundo.

A fórmula dos filmes nigerianos (popup1) passa pelos baixíssimos custos de produção e distribuição. Por um lado, são amadores: realizados com câmeras domésticas, em locações improvisadas e com atores sem formação. Por outro, enquanto sucesso comercial que alimenta uma indústria da qual muitas pessoas tiram o sustento, são profissionais. Finalizados, os DVDs são copiados e repassados aos camelôs, que, nas ruas, os vendem para os consumidores finais. Na Internet, o site Izogn Movies comercializa filmes de Nollywood e divulga trailers em uma página hospedada no Youtube.

Embora alguns filmes tratem de mazelas sociais, prostituição e crime, a maioria aborda bruxaria ou possessão espiritual e, com poucas variações, termina em conversão ao Cristianismo ou a desgraça do bruxo. O fato é que satisfazem plenamente o público alvo, a quem pouco importa a qualidade técnica, a nitidez do áudio, a astúcia do roteiro ou o profissionalismo dos atores.

O pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), Bruno Magrani, explica o segredo do cinema nigeriano:

- Cada produção custa entre US$ 15 mil e 100 mil, e os filmes são vendidos nos camelôs a US$ 3. Um filme vende algo entre 20 e 50 mil cópias. As cópias legais possuem um preço tão baixo que conseguiram suprimir a pirataria na Nigéria, mostrando que ela é um problema de mercado.

Segundo o último Atlas du Cinéma, publicado pela revista francesa Cahiers du Cinéma, no ano de 2004 os nigerianos (com um total de 1200 filmes) ascenderam ao primeiro lugar em quantidade de produções, superando a indiana Bollywood (934 filmes) e a estadunidense Hollywood (631 filmes).

O sucesso de Nollywood (popup 2) já começa a transbordar para os países vizinhos, onde tem encontrado grande apelo junto ao público. Algumas produções têm ainda um alcance que extrapola a África, como o cômico “Osuofia in London”, que faturou US$ 9 milhões nos Estados Unidos. Um website publica notícias e divulga lançamentos do cinema nigeriano.

O cinema popular é um fenômeno que garante à Nigéria uma fonte crescente de empregos e até mesmo certa soberania cultural, e possui paralelo no Brasil (popup 3), que parece ignorar a possibilidade de apropriação de novas tecnologias para fazer cinema independente (sem necessariamente descer a qualidade técnica ao nível nigeriano, afinal, quem não se lembra de “A Bruxa de Blair”(1999)?) e continuam a debater e reivindicar a participação governamental na cultura.

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Há 16 anos, em 1992, os nigerianos Okechukwu Ogunjiofor e Kenneth Nnebue decidiram juntar os seus esforços e realizar uma produção cinematográfica de baixo orçamento: Living in Bondage (literalmente “Vivendo amarrado”, mas que, no filme, tem uma conotação de “Vivendo possuído” ou “Vivendo com um encosto”) é baseado na história de um homem que enriquece às custas de um pacto com o demônio. O filme, cujo roteiro foi escrito por Ogunjiofor e contou com a atuação de seus amigos, foi um grande sucesso e, hoje, é considerado o marco inicial da Nollywood – a fértil indústria cinematográfica nigeriana.

Em uma entrevista ao site de notícias de ganense All About Gana, Okechukwu admitiu que, em 1992, não calculou a dimensão que tomaria o movimento que inaugurava:

- Eu não sabia que o mundo inteiro abraçaria o meu filme da forma que fez. Eu era apenas um jovem rapaz na época e não achava que estava criando uma alternativa aos filmes convencionais. Tudo o que eu sabia é que não poderia contar a minha história com celulóide porque não tinha dinheiro o suficiente.

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Apesar do crescimento da indústria, ainda não é possível fazer fortuna a partir dela, segundo a atriz Steph-Nora Falana declarou em entrevista a um jornal nigeriano:

- Comparando com o padrão de vida na Nigéria, o funcionário público média não ganha tanto quanto nós. O único setor em que se recebe como no Cinema é a indústria do petróleo. Pagam-nos bem, mas quando você olha para o meio artístico mundo afora, o dinheiro não é tanto assim.


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Aqui, a produção continua largamente dependente de subsídios do governo e responde por apenas cerca de 1/6 dos filmes que entram em cartaz e 1/7 dos lucros provenientes das bilheteiras.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Reestréia "Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro" de Gláuber Rocha

39 anos depois de seu lançamento, "O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro" está nas telonas do cinema para exibir a classe das obras glauberianas -o incêndio do laboratório Cinema Associés (Paris) destruiu negativos da filmografia do mestre do Cinema Novo. A curadoria da restauração é do brasileiro naturalizado na Inglês João Sócrates Oliveira, um dos maiores especialistas internacionais. O trabalho contou com a supervisão de fotografia de Affonso Beato, diretor de foto do filme.

Considerado continuação de "Deus e o Diabo na terra do Sol", o filme conta a história de Antônio das Mortes, que após matar Corisco, vai a Jardim das Piranhas em busca de um cangaçeiro que se diz a reencarnação de Lampião. Na simplicidade do roteiro, Gláuber traz este drama às telas de forma alegórica, misturando cordel e ópera, priorizando a música, as cores e os ritos folclóricos do povo nordestino.



Certa vez, Glauber Rocha disse que "tais papéis sociais não são eternos e imóveis e que tais componentes de agrupamentos sociais solidamente conservadores, ou reacionários, ou cúmplices do poder, podem mudar e contribuir para mudar. Basta que entendam onde está o verdadeiro dragão".


Premiações- Melhor Fotografia (Afonso H. Beato), Prêmio "Governador do Estado de São Paulo", SP, 1969- Melhor Diretor, Prêmio "Coruja de Ouro", Instituto Nacional de Cinema, RJ, 1969- Primeiro Prêmio, Festival de Louvaing, Bélgica, 1969- Prêmio "Fipresci" e de Direção, XXI Festival de Cannes, França, 1969- Melhor Direção, Confederação Internacional de Cinema de Arte e Ensaio, XXI Festival de Cannes, França, 1969- Prêmio do Público (Menção Especial), Semana Internacional de Cinema de Autor, Banalmadena, Espanha, 1969.

Roteiro, produção e direção de Gláuber Rocha (38-81), com assistência de Antônio Calmon e Ronaldo Duarte, elenco Maurício do Valle (Antônio das Mortes), Othon Bastos, Hugo Carvana, Emmanoel Cavalcanti, Odete Lara e Lorival Pariz. A locação do filme é em Milagres (BA).

terça-feira, 3 de junho de 2008

Já sessentão, Indiana Jones esbanja energia.


Após quase vinte anos longe das telonas - o úlltimo longa da série foi lançado em 1989 - Indiana Jones está de volta. O personagem, criado por Gerge Lucas e sempre dirigido por Steven Spielberg, deixou saudades no fãs, que que tiveram que se contentar com Allan Quartermains da vida durante essas duas décadas.

Interpretado por um Harrison Ford já sexagenário, o arqueólogo não deixa a desejar se comparado aos tempos de sua juventude, quando se pendurava para cima e para baixo com seu chicote e se esgueirava habilmente por túmulos e cavernas, sem nunca, por motivo algum, deixar seu inesquecível chapéu para trás. E basta pouco tempo para se perceber que o herói voltou com a corda toda. Decorridos menos de vinte minutos de filme Indy já escapou de um bando de soviéticos (os inimigos da vez, no lugar dos nazistas), fugiu da Área 51 e sobreviveu, acreditem, a uma explosão atômica.

O roteiro de um quarto filme da franquia data de 1992, quando George Lucas teve a ideia inicial de ... e o reino da caveira de cristal. O projeto foi abortado cerca de três anos depois, quando Spielberg e Ford não demonstraram interesse pela idéia. Em 2002 o trio resolveu apostar no trunfo que tinham em mãos, já que os três primeiros filmes arrecadaram, só nos cinemas, nada menos que US$ 1,2 bilhão.

Para os mais céticos fica o adendo: os exageiros existem, e não são poucos. E parece esse o principal motivo do desagrado de alguns fãs. Muitos reclamam do excesso de computação gráfica usada por spielberg, e , segundo uma fã que pode assistir a pré-estreia do filme em Hollywood, essa é o maior motivo de desagrado entre os fãs americanos. "O pessoal aqui nem liga muito para o fato do Indy ter se salvo de uma bomba atômica se escondendo numa geladeira, afinal, dr. Jones é dr. Jones. O que eles reclamam muito é das marmotas e macacos digitais", afirma Lilian Leite, que na época da estreia do filme viajava a trabalho pela Califórina.

Enfim, Indiana Jones e o reino da caveira de cristal é, com seus prós e contras, um filme que merece ser assistido. Toda a magia em torno do herói continua presente e todos os filmes anteriores são homenagedos. Até mesmo personagens de ... e os caçadores da arca perdida reaparecem - aliás, a propria arca dá as caras. Sem falar na trilha sonora de John Williams que faz o coração de qualquer nostálgico bater mais forte: tan-tararan... tan- taran..

O filme termina com um ensejo de uma continuação na qual o ator principal não seria Harrison Ford. A maioria dos fãs espera que essa ideia não saia do papel.